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15 abril 2009

O mecânico do Hubble

Já indiquei aqui um vídeo sobre a missão para consertar o telescópio Hubble. Agora a missão - a última nesses moldes - está se preparando para decolar em maio. O site do New York Times traz uma bela apresentação de imagens do Hubble, fotografias feitas por ele e sobre a preparação para consertá-lo. A apresentação é narrada pelo astronauta John Grunsfeld, o mecânico oficial do Hubble. Para ele, esse telescópio virou o queridinho do público porque põe maravilhas do Universo diante dos nossos olhos.

Vale a pena mesmo sem a narração, as imagens são estonteantes. (A foto acima, da NASA, eu peguei no New York Times)

E por falar em vídeos, volto a reiterar: os filminhos de que falei ontem merecem ser vistos!!! Não se preocupem: não são indecentes, ninguém vai estragar o casamento ou perder o emprego por causa disso. Como disse Isabella na entrevista, a linguagem não é mais explícita do que aparece em documentários da National Geographic.

14 abril 2009

Sexo animal

Isabella Rossellini remete a filmes como "Veludo azul". Pois a bela atriz italiana anda envolvida em projetos bem diferentes: ouvi hoje uma entrevista na NPR (em inglês, assim como tudo o que vou recomendar aqui) em que ela conta sobre o "Green porno" (clique no título para ver os vídeos).

"Sempre gostei de comportamento animal", diz ela. Mas como as pessoas têm preferência por um aspecto do comportamento - o sexo - ela resolveu usar esse tema para uma série de filmes sobre animais marinhos e invertebrados.


Prepare-se para ver Isabella andando em meio a uma floresta de pênis gigantes feitos de papel, com diversas cores e formas, explicando sobre o encaixe necessário com vaginas específicas; vestida de baleia macho com uma ereção de dois metros; como estrela-do-mar que dá origem a outras isabellas ao perder um braço e uma perna (por isso não precisa de pênis); como uma craca que se transforma de macho em fêmea e vice-versa (foto); um peixe de águas profundas, narigudo para farejar a fêmea na qual se finca e se transforma num apêndice sexual. Essa é a segunda temporada, a marítima.

Na temporada terrestre ela aparece como um aranho cheio de olhos que se aproxima com todo cuidado da teia para evitar ser devorado; uma mosca que escapa com facilidade de uma jornalada, cospe na comida para digerir antes de sugar e admira suas larvas crescendo num cadáver, uma minhoca hermafrodita que copula em posição 69, um caramujo sado-masoquista armado de vagina, pênis e dardos e um zangão que não faz nada até precisar lutar pela abelha.

Nessa maravilhosa série que merece alguém que lhe ponha legendas, Isabella Rossellini põe a serviço da divulgação de ciência todo o seu talento, sua malícia, sua sensualidade. Cansada do ecopoliciamento, ela prefere maravilhar e divertir as pessoas a ponto de que, quem sabe, queiram proteger a natureza.

05 abril 2009

Um bom copo de... urina

A Pesquisa de abril já está saindo do forno e ainda não pus aqui nenhum destaque do que andei fazendo para março.

E tem coisa legal: as bromélias de tanque, essas que acumulam água numa poça formada pelas folhas (ao lado, na foto de Lisa Chaer), conseguem aproveitar a ureia deixada pelas pererecas - que ali se abrigam e depositam ovos - como fonte de nitrogênio.

A descoberta é do grupo da botânica Helenice Mercier, que foi minha professora na USP, em experimentos de laboratório. A comprovação de que funciona mesmo na natureza está por vir, numa colaboração com Gustavo Romero, da Unesp de São José do Rio Preto.

Por enquanto, Gustavo já mostrou que fezes de aranhas também podem ser uma fonte importante de nitrogênio para bromélias.

Foi um desafio falar de xixi de perereca e cocô de aranha e manter o bom gosto que a revista exige... O resultado está aqui.


Para quem é da área, artigos:


-Cambuí, Camila A. et al. 2009. Detection of urease in the cell wall and membranes from leaf tissues of bromeliad species. Physiologia Plantarum, online. -Inselsbacher, Erich et al. 2007. Microbial activities and foliar uptake of nitrogen in the epiphytic bromeliad Vriesea gigantea. New Phytologist, 175 (2): 311-320.
-Romero, Gustavo Q. et al. 2006. Bromeliad-living spiders improve host plant nutrition and growth. Ecology, 87 (4): 803-808.
-Romero, Gustavo Q. et al. 2008. Spatial variation in the strength of mutualism between a jumping spider and a terrestrial bromeliad: Evidence from the stable isotope 15N. Acta Oecologica, 33 (3): 380-386.
-Takahashi, Cássia A. et al. 2007. Differential capacity of nitrogen assimilation between apical and basal leaf portions of a tank epiphytic bromeliad. Brazilian Journal of Plant Physiology, 19 (2): 119-126.

02 abril 2009

Corra e olhe o céu

Caminhar no escuro longe das luzes urbanas é uma experiência mágica. A imensidão escura com incontáveis pontos brilhantes de cores e tamanhos diversos (mas há quem os conte, por lazer ou profissão). São planetas, são estrelas que às vezes riscam o céu muito mais depressa do que um desprevenido consegue formular um desejo.

Um céu imenso que, nas noites mais escuras, chega a parecer um manto sólido que reduz uma pessoa à sua devida insignificância. Em certas situações, andando na escuridão completa, já tive a sensação de diminuir até quase desaparecer. Recomendo, de preferência depois de um reconhecimento de terreno que permita eliminar preocupações terrenas como a de cair num buraco ou pisar nalgum bicho noturno.

No entanto, o dia-a-dia urbano nos rouba o céu. Iluminação exagerada que rouba o negro do céu e ofusca as estrelas, poucas caminhadas noturnas, poucos jardins onde se possa deitar à noite e simplesmente olhar para o alto.

As 100 horas de astronomia buscam remediar um pouco disso. De hoje a domingo, uma série de atividades estimularão os passantes apressados a pararem para olhar o céu. Mais informações aqui. Veja também a coluna do astrofísico Augusto Damineli, da USP, no site da revista Pesquisa.

03 fevereiro 2009

Cuidado com o carrapato!

Febre, dor de cabeça, dor no corpo, prostração. Quando soube do trabalho do veterinário Marcelo Labruna, da USP, eu estava com esses sintomas. São os da febre maculosa, mas também de um bom resfriado comum.

A primeira doença é transmitida por carrapatos, sobretudo o carrapato-estrela (Amblyomma cajennense), o da foto ao lado tirada pelo próprio Labruna (repare que ali estão cinco fases de vida do bicho, desde o minúsculo micuim até o carrapatão alimentado). Se diagnosticada cedo, basta um antibiótico. Caso contrário, surgem manchas na pele (as tais máculas), extremidades começam a necrosar e o paciente pode perder dedos e até morrer, em até 40% dos casos.

Não há motivo para pânico porque a doença é rara. Labruna e seus alunos andam pelo mato à busca de carrapatos infectados, deixam-se picar à vontade (o que não é o amor pela ciência...) e investigam o próprio sangue todos os anos em busca de sinais da doença. Nunca encontraram.

Mas se você (como eu) frequenta lugares onde há mato e carrapatos associados a cachorros ou capivaras, melhor ficar de olho. Eu estava só resfriada e sobrevivi, como previu o médico que eu, morrendo de vergonha da minha hipocondria, consultei.

Isso foi antes de eu ir conversar com o Marcelo dos carrapatos, como é conhecido na faculdade de Veterinária, e escrever a matéria que saiu na edição de janeiro de Pesquisa FAPESP. Agora acho que eu não teria tanta vergonha de tirar os sintomas a limpo.

01 agosto 2008

Pelos bares da Malásia

Com esses olhos alertas, as tupaias da Malásia, da espécie Ptilocercus lowii (foto ao lado, de Annette Zitzmann - co-autora do trabalho), enganam. Não só são notívagas, como beberronas. Passam em média 138 minutos por noite lambendo as flores da palmeira Eigeissona tristis. O sistema de produção de néctar e pólen dessas plantas é peculiar - o néctar abundante passa um bom tempo fermentando e chega a um teor alcóolico de 3,8% - o mais alto já encontrado na natureza, semelhante a algumas cervejas. Em entrevista para o podcast "Science in action", da BBC, o coordenador da pesquisa Frank Wiens, da universidade alemã de Bayreuth, disse que a quantidade de néctar que as tupaias consomem é como se uma pessoa tomasse 8 taças de vinho por noite!

Apesar de consumirem uma grande quantidade de álcool para suas 50 gramas de corpo, as tupaias não saem trocando pernas (veja
vídeo). E não são as únicas. O grupo de pesquisadores sentiu o cheiro familiar de uma cervejaria perto da planta e observou ao todo sete espécies de mamíferos que se refestelam com o festim etílico da palmeira - mas poucos tão boêmios quanto a tupaia. Outra espécie que se destaca é o lóris-lento (Nycticebus coucang, foto abaixo, daqui), que restringe suas noitadas no bar a 86 minutos em média. Talvez a lentidão que lhe dá nome seja cautela, para não dar bandeira (vídeo aqui). O artigo foi publicado na semana passada na revista PNAS, da Academia de Ciências dos Estados Unidos.

O assunto andou nas notícias e não me chamou a atenção só pela simpatia de bichos bebuns em tempos de lei seca. Também deixou de cabelos em pé esta que já foi estudiosa de mamíferos e mantém a preferência. As tupaias, também conhecidas como musaranhos-arborícolas, apareceram pela mídia como roedores. Não posso me furtar ao protesto: estão muito longe de roedores!

Para não deixar dúvidas, ponho aqui uma
filogenia dos mamíferos, abaixo (do Tree of Life) - observe como uma árvore genealógica. As tupaias, que aparecem como "Scandentia", são na verdade mais aparentadas aos primatas do que aos roedores ("Rodentia"). Os lórises são prossímios, incluídos no ramo dos primatas junto com os lêmures. A confusão não vem só da nossa ignorância dessa fauna do sul e sudeste da Ásia: na Malásia, a palavra tupai indica tanto esquilos (esses sim roedores) como tupaias. Outra confusão surge do termo "musaranho-arborícola". Musaranhos propriamente ditos também não têm muito a ver com as tupaias (aparecem como "Insectivora" na árvore).



É exatamemente por serem quase primatas que o alcoolismo das tupaias é interessante. O próximo passo é entender em detalhes o que na fisiologia delas - e dos lórises lhes permite ingerir tanto álcool sem sofrer as conseqüências motoras - sem falar em ressacas. O interesse maior dos pesquisadores é mesmo compreender a evolução desse aspecto da fisiologia, e porque nós ficamos alegres com uma fração do álcool que as tupaias encaram sem achar que é mais do que uma refeição. Mas pode até, quem sabe, vir a ser útil para tratar dependência alcóolica.

30 julho 2008

(R)Evolução genômica

Pesquisador de renome internacional, Michael Lynch publicou no ano passado, nos Estados Unidos, o livro The Origins of Genome Architecture, ainda sem tradução em português. É sobre isso que o evolucionista da Universidade de Indiana falará na última palestra da programação cultural da exposição Revolução Genômica.

A palestra “Genomas e evolução”, com entrada franca, foi adiada para as 18 horas do dia 4 de agosto, e se realizará excepcionalmente no auditório do Centro de Estudos do Genoma Humano, dentro do campus da Universidade São Paulo (USP), rua do Matão, travessa 13, no 106.

A programação cultural da mostra Revolução Genômica está a cargo da revista Pesquisa FAPESP. A cobertura completa das palestras pode ser acompanhada no site da revista
.

O auditório tem espaço limitado, por isso é preciso fazer a inscrição: aqui,
clicando em Atividades Culturais, ou pelo telefone 3468-7400 das 8 às 18h.

Michael Lynch é professor na Universidade de Indiana e em sua pesquisa integra genética, ecologia e evolução. No livro publicado em 2007 ele mostra como o seqüenciamento dos mais variados organismos transformou o campo de estudos da evolução e permite entender como surgiu a diversidade arquitetônica dos genes e do material genético. Lynch apresentará ao público paulistano as idéias que desenvolveu em seu livro, considerado por especialistas como uma contribuição importante para a área evolutiva. Ele promete mostrar atualizações interessantes e discutir a relação entre a complexidade dos genomas e dos organismos.

23 julho 2008

Quem mama direto da fonte fica mais inteligente

Amamentar - sem nenhum outro suplemento alimentar - por mais tempo melhora o desenvolvimento cognitivo das crianças. É o que diz um artigo (com acesso restrito) publicado em maio na revista Archives of General Psychiatry.

A conclusão vem de um experimento feito por um grupo de pesquisadores do Canadá e da Bielorrússia, integrantes do Probit (Promotion of Breastfeeding Intervention Trial - Experimento de intervenção em promover a amamentação). Em 31 maternidades bielorrussas, o grupo avaliou mais de 17 mil bebês em fase de amamentação e seguiu quase 14 mil deles (81,5%) até os 6 anos e meio. Metade das mães passou por uma campanha para estimular amamentação desenvolvida pela Organização Mundial da Saúde e pela Unicef. A outra metade teve o apoio normal dado pelas maternidades.

A intervenção foi responsável por um grande aumento na amamentação exclusiva aos 3 meses de idade e as mães tenderam a amamentar, em alguma proporção, por mais tempo.

Quando as crianças tinham 6,5 anos de idade, os pesquisadores avaliaram sua capacidade cognitiva e desenvolvimento verbal. As diferenças - em QI, vocabulário, capacidades lingüísticas e matemáticas - foram pequenas, mas favoreceram invariavelmente o grupo estimulado à amamentação.

Não é necessariamente o leite. O artigo considera explicações alternativas, como mudanças epigenéticas causadas pelo contato mais íntimo e prolongado entre mãe e bebê, que pode ter efeitos fisiológicos que acelerem o desenvolvimento neurocognitivo. Além disso, a conversinha da mãe enquanto amamenta pode ajudar a desenvolver as capacidades lingüísticas.

As diferenças são sutis, não é ainda a prova cabal de que restringir um bebê ao leite materno nos primeiros meses e amamentar por um tempo prolongado realmente afeta o desenvolvimento cognitivo. Mas é uma sugestão interessante, que a meu ver merece ser considerada e mais estudada.


15 julho 2008

Os podcasts estão chegando

Devagar chegamos lá. Desde fevereiro a revista Ciência Hoje online traz conversas quinzenais com pesquisadores de diversas áreas. É o estúdio ch, que agora se organizou de fato como podcast. Ou seja, fácil baixar nos aparelhos de mp3.


Hoje assinei e baixei no meu aparelhinho, a Penélope, o episódio mais recente - uma conversa com o físico Ivan Oliveira sobre mecânica quântica. Estou satisfeita em saber que a cada 15 dias receberei automaticamente um assunto novo.

14 julho 2008

Quilos a mais... e mais

Quando a balança teima lá no alto apesar de dietas de todos os tipos, pode ser o caso de recorrer a uma cirurgia de redução de estômago.

A cirurgia bariátrica é o último recurso, recomendado pelos médicos em casos de obesidade extrema que nada mais consegue combater. Muda a vida de muita gente para melhor, mas está longe de ser uma solução fácil. Em geral é preciso, na melhor das hipóteses, dar adeus ao prazer de comer.

Mas não é só. A cirurgia parece ser extremamente eficaz em eliminar o diabetes, um dos primeiros efeitos colaterais da obesidade - que muitas vezes chega a se manifestar antes mesmo que as gordurinhas se tornem muito incômodas. E nova pesquisa sugere também que pode ser o caminho para evitar o maior risco de câncer que vem junto com a obesidade.

Está na edição deste mês de Pesquisa Fapesp o
texto que escrevi sobre o assunto. Matéria difícil, com tantas facetas - todas importantes. Palpites e críticas são bem-vindos, adoto como lema a frase do Carl Zimmer: espero ter acertado, presumo que errei e estou pronta para aprender pelo caminho.


A imagem é mirror ball, do Escher

13 julho 2008

Homem ou primata?

Para o geneticista Wen-Hsiung Li, nascido em Taiwan e radicado na Universidade de Chicago, entender a evolução humana pode reduzir o preconceito entre as pessoas. Ele acredita que agora temos um conhecimento bastante bom do assunto, mas restam grandes mistérios.

Essas foram as conclusões finais da palestra deste fim de semana. Para ajudar nessa compreensão de como chegamos a ser o que somos, ele mostrou estudos - dele e de outros - que mostraram que humanos são muito parecidos com os outros grandes primatas - chimpanzés, bonobos, gorilas e orangotangos. Um desses estudos, publicado em 2001, analisou trechos do DNA dos grandes primatas e encontrou, em média, 1,2% de diferenças entre as seqüências de humanos e de chimpanzés.

Boa parte da diferença não está, portanto, na seqüência genética. Está na regulação dos genes: quando genes são ligados ou desligados? Onde no organismo? Com que intensidade funcionam? É essa regulação, diz ele, que afeta o desenvolvimento embrionário, a fisiologia e a saúde. E que nos torna diferentes de chimpanzés.

A linguagem é uma dessas diferenças. Pois existe um gene - segundo ele o único até agora detectado que influencia especificamente a fala e o desenvolvimento da linguagem - que sofreu mais mutações ao longo da evolução humana do que se esperaria comparado ao resto do material genético. É o FOXP2. Será que a seleção natural favoreceu os falantes? Fica a pergunta.

Outro exemplo que Li apresentou foi cor de pele. Alguns genes regulatórios afetam coloração tanto de peixes como de humanos. Como essas características se alteram ao longo do tempo? Ele não entrou em muitos detalhes, mas diz que certas variantes dos genes foram selecionadas durante a evolução recente.

Faltou aprofundar-se mais, fica a curiosidade. De todo jeito, este é um resuminho rápido. Na edição de agosto de Pesquisa Fapesp sairá um relato mais detalhado, que estará também aqui. E aqui deverá entrar um outro resuminho, junto com uma amostra de vídeo da palestra.

11 julho 2008

Uma visão genômica da evolução humana

Às 15h do sábado (12/07), o pesquisador Wen-Hsiung Li, do departamento de ecologia e evolução da Universidade de Chicago, dará a palestra “Uma visão genômica da evolução humana”.


Nascido em Taiwan e radicado nos Estados Unidos desde os anos 1970, Li estuda os processos e mecanismos da evolução molecular e genômica, usando abordagens experimentais e teóricas.

A apresentação faz parte da programação cultural organizada por Pesquisa FAPESP para a exposição Revolução Genômica.

A palestra é gratuita e será no auditório anexo ao Pavilhão Armando de Arruda Pereira, antiga sede da Prodam, no Parque do Ibirapuera (portão 10).

A cobertura completa dos eventos da programação cultural pode ser acompanhada no site da revista Pesquisa Fapesp.


27 junho 2008

Corações partidos no parque

Os casais que, à beira do lago do parque do Ibirapuera, não contemplam as águas nem as garças nem os pavões - porque só têm olhos um pro outro, não precisam se preocupar.

Os corações partidos - e como consertá-los - estarão no auditório improvisado junto à exposição Revolução Genômica. Às 11 da manhã do domingo (29 de junho) José Eduardo Krieger, especialista em hipertensão da Faculdade de Medicina da USP, apresentará a palestra "Genômica, saúde e reparação cardíaca utilizando células-tronco".

As palestras são gratuitas no pavilhão Armando de Arruda Pereira, que faz parte da marquise do Ibirapuera. Veja mais aqui.


Imagem daqui.

25 junho 2008

Operação grou

O que os ultraleves fazem no meio da passarada? São grous-americanos, a maior (em estatura) ave dos Estados Unidos. E mais ameaçada de extinção.

Vi ontem num
vídeo da National Geographic que achei sensacional ("Operation migration", de 19 de maio).

A turma da "
Operation migration" (de onde tirei a foto) se veste nuns sacões brancos para não deixar as aves muito à vontade entre humanos. Eles reproduzem os grous em cativeiro e treinam os bichos a seguir umas reproduções de cabeça de grou que levam como prolongamento do braço.

O problema aparece no inverno, porque os grous do projeto não sabem o caminho para a Flórida. A estranha figura branca disforme que sacode uma cabeça de grou entra então num ultraleve e levanta vôo. Os grous seguem. Depois de uns vôos de treino, rumam para a Flórida. No começo é uma turma desorganizada, mas aos poucos as aves aprendem a usar as correntes de ar quente e o vácuo deixado pelo companheiro motorizado e entram em formação - um V com o ultraleve no vértice.

Uma vez na Flórida sabem voltar para o Wisconsin no final do inverno - e no ano seguinte poderão ensinar o caminho à próxima geração. O projeto já estabeleceu uma população de 600 aves no Wisconsin, onde estavam extintas. A um custo de 100 mil dólares por ave, contando tempo, esforço e doações.

23 junho 2008

Para quem lamenta ter perdido a palestra do Emilio Moran no sábado - ou viu e quer mais -, outra chance. Hoje às 19h ele vai falar sobre o livro que está lançando, Nós e a natureza (Editora Senac).

Antropólogo com formação em ambiente, ele tem um imenso conhecimento sobre a Amazônia e sobre a relação das pessoas com o meio ambiente de maneira geral, promete ser interessante. Leia mais aqui.

Leia aqui também uma entrevista com ele que a Pesquisa Fapesp publicou há dois anos.

A palestra/lançamento será em São Paulo, na livraria Cultura da avenida Paulista, no Conjunto Nacional - hoje às 19 horas.

20 junho 2008

Amazônia e arroz no parque

Dois convidados internacionais fazem palestras no próximo fim de semana dentro da programação cultural da exposição Revolução Genômica.

Às 15h do sábado (21/06), o antropólogo cubano naturalizado norte-americano Emilio Moran, da Universidade de Indiana (EUA), fala sobre “Expansão internacional da antropologia ambiental: experiências na Amazônia”.

Às 11h do domingo (22/06), a bióloga norte-americana Robin Buell, da Universidade Estadual de Michigan (EUA), aborda o tema “Arroz: um exemplo de como a genômica pode mudar as abordagens da ciência”.

As duas palestras são gratuitas e ocorrem no auditório anexo ao Pavilhão Armando de Arruda Pereira, antiga sede da Prodam, no Parque do Ibirapuera (portão 10), em São Paulo, onde está em cartaz a exposição científica. A programação cultural da mostra Revolução Genômica está a cargo da revista Pesquisa FAPESP.

Professor de antropologia e diretor do Centro Antropológico para Treinamento e Pesquisa em Mudanças Ambientais Globais da Universidade de Indiana, Emilio Moran foi um dos primeiros pesquisadores a lançar um olhar de cientista social sobre o debate do aquecimento global, por muito tempo confinado ao âmbito da meteorologia. Estudioso do Brasil, é autor de vários livros sobre a Amazônia e o impacto das mudanças ambientais. Participa também do Experimento do LBA, o maior projeto de pesquisa internacional sobre a floresta tropical.

Pesquisadora do departamento de biologia vegetal da Universidade Estadual de Michigan, Robin Buell estuda aspectos genômicos da biologia vegetal e dos patógenos que atacam as plantas. Com grande conhecimento em bioinformática, teve participação fundamental nos trabalhos de montagem e de anotação do genoma de duas importantes culturas agrícolas, o arroz e a batata. O genoma do arroz é considerado como modelo para o estudo do DNA de outros cereais.

28 novembro 2007

Quinta, 6/12/2007
9:00 – Abertura
10:00 – Paulo Abrantes (Filosofia, UnB) – Darwinismo e o caráter anômalo da evolução humana
11:15 – Maurício Vieira (Sociologia, UFF)
13:45 - Yuri Leite (Biologia, UFES) – Doenças, sexo e a Rainha Vermelha
14:45 - Renan S. Freitas (Sociologia, UFMG) – Darwin, Popper e os pragmatistas
16:00 – Hilton da Silva (Antropologia, UFRJ) – Saúde, doença e processos microadaptativos em populações neotropicais brasileiras

Sexta, 7/12/2006
9:00 – Gustavo Caponi (Filosofia, UFSC) – A compreensão do vivente: para além da distinção entre as ciências do espírito e as ciências naturais
10:00 – Cláudia Russo (Biologia, UFRJ)
11:15 – Angela Oliva (Psicologia, UERJ) – Origens evolutivas do comportamento social
13:45 – Suzana Herculano-Houzal (Biologia, UFRJ) – Darwin tinha razão: o número de células no cérebro mostra que somos apenas grandes primatas
14:45 – Nélio Bizzo (Educação, USP) – Darwin e o homem: visões darwinistas na literatura brasileira do século XX
16:00 – Ricardo Waizbort (Biologia, Fiocruz) – Darwinismo ativo: o lugar do indivíduo na evolução biológica


27 novembro 2007

De galho em galho

O Brasil tem macacos de tudo quanto é forma, cor e tamanho. Toda essa diversidade deriva de um ancestral que chegou à América 30 milhões de anos atrás. Segundo o trabalho de Gabriel Marroig, da USP, tal frenesi adaptativo se fundamentou em variação de tamanho.


Misterioso? Leia mais na edição de novembro de Pesquisa Fapesp.

18 novembro 2007

Neurônios, circuitos, conexões e microeletrodos

O ramo das neurociências que estabelece comunicação entre cérebros e máquinas vai de vento em popa. Poderá quem sabe até, em breve, devolver pernas a quem não pode andar.

É o que me contou Miguel Nicolelis na semana passada, logo antes de sua palestra no Fórum Nobel - no próprio Instituto Karolinska, que concede os prêmios Nobel.
Leia notícia no site da revista.

Nicolelis deu também uma entrevista para o programa de rádio Pesquisa Brasil, que a partir de quarta estará disponível
aqui.

Descobri também uma fonte fantástica de informações para quem se encantar pelo assunto. Em julho deste ano a conferência "Your brain and yourself", no Colorado (EUA), reuniu alguns dos maiores neurocientistas do momento. Ainda não investiguei o site, mas ele anuncia ter vídeos, palestras e um livro. Este eu vi, mas por enquanto li só o capítulo do Nicolelis - que é absolutamente fascinante. Estou louca para conferir os outros.

A foto de Nicolelis e sua assistente, especialista em operar o braço mecânico à distância, é de Jim Wallace, da Universidade Duke.

05 novembro 2007

Amazônia globalizada?

Ouvi dizer que a New York Review of Books, que publica boas resenhas que vão além de resenhar livros, está com todo seu conteúdo gratuito na internete. E com ótimos podcasts, também. Mas não cheguei lá. ao entrar na página deles, dei de cara com a foto ao lado. Trata-se de uma queimada perto de Imperatriz, na Amazônia, para substituir floresta por pastos.

A resenha, por John Terborgh, analisa o livro The Last Forest: The Amazon in the Age of Globalization, de Mark London e Brian Kelly. Para Terborgh, o livro peca por ser superficial - apesar de terem percorrido a Amazônia brasileira para entrevistar caboclos, parece que nenhum dos autores fala português. Não sei como eles fizeram, nem até que ponto essa limitação os impediu de enxergar o que viram.

O resenhista não deve conhecer o Brasil. Descreve o Cerrado como uma campina, em vez de dizer que é uma savana. Mas não impede que diga coisas interessantes. Ele rememora uma vez em que sobrevoou a floresta amazônica, a caminho entre o Peru e Miami. Descreve a massa verde até onde os olhos alcançam, interrompida de repente por uma pista de pouso. Não há transição entre o concreto e a floresta, como se vê noutras paragens.


Não há negociação, portanto, entre urbe e selva. As plantações de soja em zona de Cerrado mostram que basta um pouco de tecnologia para tornar produtiva uma área silvestre. Segundo o livro, a primeira ameaça a segunda com o projeto Avança Brasil. "Se o Avança Brasil for adiante como planejado, ele transformará a região amazônica. Trechos de terra da rodovia Transamazônica serão asfaltados, rios serão dragados e ganharão comportas para permitir o tráfego de balsas, novos portos serão construídos e represas serão construídas para fornecer energia hidrelétrica para novas cidades e indústrias. Melhor acesso proporcionado por estradas precipitarão um frenesi de desmatamento e especulação. A indústria madeireria, agora concentrada ao longo das bordas leste e sul da Amazônia, avançarão para as porções central e ocidental da bacia."

Quem diz isso é Terborgh. Avança Brasil não aparece no livro, que se limita a dizer vagamente que o desenvolvimento é inevitável na Amazônia. O resenhista concorda que é impossível manter a floresta como ela é, mas defende que ela não será perdida graças às áreas de proteção que existem - que pode chegar, calcula, a 50% da área amazônica. Mas o equilíbrio ali é delicado: pesquisas indicam que o desmatamento causará secas que se estenderão para oeste e o Cerrado entrará Amazônia adentro.

Muito se estuda sobre a Amazônia seu valor não só em biodiversidade mas como moderadora do clima global. The Last Forest, parece, não é uma referência essencial. Não vou poder agora ir atrás de mais, deixo aqui a isca. Quem encara inglês, vale a pena ler a resenha que é bastante longa.