13 setembro 2008

Que viva o Cerrado




Semana passada comemorou-se - ou lamentou-se - o dia do Cerrado. Foi no dia 11 de setembro.
Fiquei sabendo da efeméride pelo
Bafana Ciência, e o Marcelo Leite comentou também. Não resisto a deixar aqui minha homenagem a uma paisagem que me emociona profundamente a cada visita. Algumas impressões, com súplicas por uma longa vida. Porque ele é muito mais especial como ecossistema único do que como fronteira agrícola.

Porque são árvores retorcidas e campos que não só resistem às queimadas naturais, mas tiram daí sua força. E explodem em flor depois do fogo. Troncos negros, por fora carvão. E flores de todas as formas e cores. Algumas delas são sempre-vivas e, por isso mesmo, correm o risco de virar arranjo nos mercados turísticos de Brasília. Raízes que buscam água nas profundezas do solo, lá onde ela abunda mesmo nos longos períodos de seca.

Porque ali cavam tatus, araras se instalam em ocos dos buritis, lobos-guará - com suas longas pernas elegantes e seu ar paciente - percorrem quilômetros sem fim (quando os há) em busca de frutos e pequenos insetos. Onde os filhotes de tamanduá se disfarçam na listra que cruza o dorso da mãe e emas se parecem com arbustos em meio ao campo. E tantos bichos mais que ajudam a tornar o Cerrado um dos hotspots de biodiversidade do mundo.

Porque o céu azul profundo e a luz dourada. Porque as folhas rígidas, muitas vezes peludas, estão prontas para resistir a tudo. Não contavam com tratores, mas ainda torço por elas.
As fotos são quase todas do João, talvez alguma minha. Recomendo também as belas imagens do Rafael.

3 comentários:

Manhani, T. disse...

Eu li a matéria do Marcelo Leite no dia em que ele publicou e concordei plenamente. Vendo estas fotos tão lindas no seu post, de imediato me lembrei do que ele havia escrito: "do cerrado ter tido o azar de estar no meio do caminho do agronegócio". É um grande pesar que esta diversidade toda, de beleza tão peculiar, esteja ameaçada. Nos resta torcer para que conscientizações aflorem e isso tudo não acabe como aconteceu com a mata atlântica.

Luiz Bento disse...

Parabéns a todos os colaboradores pelo blog. Já adicionei ao meu google reader. Se tiver um tempo de uma passada no meu blog, onde tratamos de ciência mais voltada a ecologia

http://discutindoecologia.blogspot.com/

Abraços.

Clarissa disse...

Lamentar ou comemorar? O cerrado é um dos hotspots da biodiversidade e atualmente restam menos de 20% da formação original desse bioma no Brasil. Abraços