27 junho 2008

Blogues em português - pra quê?

A internet cada vez mais transborda de informação. Há quem tenha opinião sobre tudo, que explique tudo, exponha fatos sobre tudo. Tal enchente acaba tornando mais difícil pesquisar.

Com a limitação de tempo que impede a maior parte das pessoas de acompanhar os desdobramentos de discussões e assuntos - virtuais ou reais - neste mar virtual, às vezes me parece que quem se aventura a escrever está fadado a falar sozinho. É um pouco o que tem acontecido na
roda de ciência.

Fiquei pensando. Qual é a importância de existir uma blogosfera científica em português? Respondo no que me diz respeito: é um ponto de encontro. Muitos pontos de encontro. Para quem ganha o pão de cada dia divulgando ciência, é precioso.

No
ciência em dia encontro um colega mais experiente, com quem aprendo tanto concordando como discordando. Encontro também seus visitantes, alguns deles pesquisadores de destaque. Lá conheci o geneticista Marcelo Nóbrega, da Universidade de Chicago, e o físico Osame Kinouchi, da USP de Ribeirão Preto, que (esporadicamente) mantém o blogue Semciência e entra na roda.

No
Ecce Medicus encontro um médico que gosta de pensar e discutir ciência e prática médica, sempre alerta a idéias e artigos interessantes.

No
Brontossauros em meu jardim encontro o biólogo Carlos Hotta, que por enquanto resiste à minha curiosidade de saber mais sobre o que ele faz durante a semana mas não perco as esperanças.

E por aí vai. Não vou puxar o saco de todo mundo, só umas pinceladinhas para pôr aqui um pouco da diversidade que me encanta e me ajuda no meu trabalho. Fico curiosa para saber o que cada um encontra na sua blogosfera particular.

Isto é parte da discussão atual no
roda de ciência.
Comentários, por favor, aqui.

Tirei a bela foto
daqui.

25 junho 2008

Operação grou

O que os ultraleves fazem no meio da passarada? São grous-americanos, a maior (em estatura) ave dos Estados Unidos. E mais ameaçada de extinção.

Vi ontem num
vídeo da National Geographic que achei sensacional ("Operation migration", de 19 de maio).

A turma da "
Operation migration" (de onde tirei a foto) se veste nuns sacões brancos para não deixar as aves muito à vontade entre humanos. Eles reproduzem os grous em cativeiro e treinam os bichos a seguir umas reproduções de cabeça de grou que levam como prolongamento do braço.

O problema aparece no inverno, porque os grous do projeto não sabem o caminho para a Flórida. A estranha figura branca disforme que sacode uma cabeça de grou entra então num ultraleve e levanta vôo. Os grous seguem. Depois de uns vôos de treino, rumam para a Flórida. No começo é uma turma desorganizada, mas aos poucos as aves aprendem a usar as correntes de ar quente e o vácuo deixado pelo companheiro motorizado e entram em formação - um V com o ultraleve no vértice.

Uma vez na Flórida sabem voltar para o Wisconsin no final do inverno - e no ano seguinte poderão ensinar o caminho à próxima geração. O projeto já estabeleceu uma população de 600 aves no Wisconsin, onde estavam extintas. A um custo de 100 mil dólares por ave, contando tempo, esforço e doações.

23 junho 2008

Para quem lamenta ter perdido a palestra do Emilio Moran no sábado - ou viu e quer mais -, outra chance. Hoje às 19h ele vai falar sobre o livro que está lançando, Nós e a natureza (Editora Senac).

Antropólogo com formação em ambiente, ele tem um imenso conhecimento sobre a Amazônia e sobre a relação das pessoas com o meio ambiente de maneira geral, promete ser interessante. Leia mais aqui.

Leia aqui também uma entrevista com ele que a Pesquisa Fapesp publicou há dois anos.

A palestra/lançamento será em São Paulo, na livraria Cultura da avenida Paulista, no Conjunto Nacional - hoje às 19 horas.

20 junho 2008

Amazônia e arroz no parque

Dois convidados internacionais fazem palestras no próximo fim de semana dentro da programação cultural da exposição Revolução Genômica.

Às 15h do sábado (21/06), o antropólogo cubano naturalizado norte-americano Emilio Moran, da Universidade de Indiana (EUA), fala sobre “Expansão internacional da antropologia ambiental: experiências na Amazônia”.

Às 11h do domingo (22/06), a bióloga norte-americana Robin Buell, da Universidade Estadual de Michigan (EUA), aborda o tema “Arroz: um exemplo de como a genômica pode mudar as abordagens da ciência”.

As duas palestras são gratuitas e ocorrem no auditório anexo ao Pavilhão Armando de Arruda Pereira, antiga sede da Prodam, no Parque do Ibirapuera (portão 10), em São Paulo, onde está em cartaz a exposição científica. A programação cultural da mostra Revolução Genômica está a cargo da revista Pesquisa FAPESP.

Professor de antropologia e diretor do Centro Antropológico para Treinamento e Pesquisa em Mudanças Ambientais Globais da Universidade de Indiana, Emilio Moran foi um dos primeiros pesquisadores a lançar um olhar de cientista social sobre o debate do aquecimento global, por muito tempo confinado ao âmbito da meteorologia. Estudioso do Brasil, é autor de vários livros sobre a Amazônia e o impacto das mudanças ambientais. Participa também do Experimento do LBA, o maior projeto de pesquisa internacional sobre a floresta tropical.

Pesquisadora do departamento de biologia vegetal da Universidade Estadual de Michigan, Robin Buell estuda aspectos genômicos da biologia vegetal e dos patógenos que atacam as plantas. Com grande conhecimento em bioinformática, teve participação fundamental nos trabalhos de montagem e de anotação do genoma de duas importantes culturas agrícolas, o arroz e a batata. O genoma do arroz é considerado como modelo para o estudo do DNA de outros cereais.

18 junho 2008

Ciência sem roda

O João Carlos acaba de pôr a roda de ciência de volta em movimento. Fica aqui o aviso e minha torcida de que ela não acabe como esse moinho português.

17 junho 2008

Milho e memes

Andei lendo as reflexões recentes do Jean-Claude Bernardet sobre o livro O dilema do onívoro, de Michael Pollan. Para quem gosta de pensar, vale a pena matutar sobre como o milho acabou por nos domesticar, o que isso tem a ver com as idéias do filósofo Edgar Morin e com os memes de Richard Dawkins.

16 junho 2008

Roda viva na rede

Vale a pena conferir "Memória Roda Viva", um projeto conjunto entre Fundação Padre Anchieta, Fapesp, Labjor e Nepp (Unicamp).

No site já estão algumas das entrevistas feitas no programa da TV Cultura, mas o plano é que todas estejam armazenadas ali: vídeo, fotos e transcrição incrementada com informações adicionais sobre certos verbetes.

A idéia é que seja um instrumento de pesquisa valioso em cima de um arquivo que detém preciosidades do pensamento contemporâneo.

15 junho 2008

Dançarinos emplumados

Graças ao biólogo Mercival Francisco, da Universidade Federal de São Carlos em Sorocaba, e seu aluno Juninho, pude me meter no mato atrás dos discretos e esplêndidos tangarás-dançarinos.

Durante o doutorado me encantei com outra espécie de tangará, que minha amiga e colega Emily estudava no Panamá. Foram muitos os cafés que tomamos em que ela me relatava as coreografias dos passarinhos, muitas visitas à sala dela em que admirei fotos e vídeos.

Estes daqui dançam com mais espetáculo - até oito machos coordenados para atrair uma fêmea. Mas têm uma deficiência, a meu ver: os panamenhos têm pernas cor-de-laranja que acho um luxo.

Na viagem ao Parque Estadual Carlos Botelho (que vale a visita, muitos bichos numa bela mata) em busca de fotografar a dança dos tangarás, eles nos driblaram. Enquanto esse macho da foto comia perto de mim (para me distrair?), eu ouvia a vocalização típica da dança acontecendo ali perto. Não consegui ver.

Mas se quiser ver o bichinho de frente, mais o texto completo que está na edição de Pesquisa Fapesp agora nas bancas, e mais um vídeo da dança, olhe aqui.

14 junho 2008

Mistério dos morcegos

Foto de Alan Hicks, do Departamento de Conservação Ambiental de Nova York

Imagine entrar numa caverna e, além de ver morcegos pendurados nas reentrâncias do teto, ter que tomar cuidado para não pisar nos inúmeros cadáveres dos pequenos mamíferos voadores. É o que tem acontecido no leste dos Estados Unidos.

Não é novo, mas é das coisas que há meses ando com vontade de comentar. E o mistério continua. Duas espécies de morcegos do gênero Myotis têm morrido às pencas, sempre com focinho e asas polvilhados por um fungo branco. A doença foi por isso batizada de "síndrome do nariz branco" (White Nose Syndrome).

Na semana passada pesquisadores de vários lugares se reuniram em Albany, no estado de Nova York, para juntar dados e mentes. Não sei se chegaram a algo, mas até agora o que ouvi é que eles não sabem o que está causando a mortalidade. O fungo está lá, mas parece haver um consenso de que ele é uma infecção secundária, não a causa do problema.

Bactéria, vírus... uma coisa em comum entre os morcegos que morrem é que estão todos abaixo do peso. Uma hipótese é que eles - por algum motivo desconhecido - não conseguem engordar que chegue antes da hibernação. Aí começam a hibernar já meio magrinhos e, depois de uns meses inertes sem comer, ficam suscetíveis a qualquer infecção. E nunca chegam a acordar para ver a primavera.

Algumas explicações aventadas são: eles não estão se alimentando que chegue, talvez por alterações na composição vegetal do ambiente (plantações) ou porque pesticidas estão matando os insetos que eles comeriam (plantações outra vez); ou estão acordando no meio do período de hibernação (oscilações na temperatura?) e com isso perdem energia preciosa. São possibilidades graves que remetem ao desequilíbrio ecológico causado por atividades humanas.

Lembra o que vem acontecendo com as abelhas, outro mistério ainda no ar que aponta para desequilíbrio ambiental em vários níveis. Escrevi sobre isso há quase um ano na Pesquisa Fapesp.

Mais informações (em inglês) sobre os morcegos no site da sociedade espeleológica norte-americana.

13 junho 2008

Mudanças climáticas e genômica em museus - no parque

foto daqui

Este fim de semana promete ser interessante no parque paulistano do Ibirapuera.

No sábado (14 de junho), às 15h, o climatologista Carlos Nobre falará sobre a “Ciência do sistema terrestre e a sustentabilidade da vida no planeta”. Carlos Nobre foi diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e é um dos participantes brasileiros do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), órgão internacional ligado à ONU que ganhou o prêmio Nobel da Paz em 2007 junto com o norte-americano Al Gore.
Ele tem propostas de sustentabilidade para a Amazônia que envolvem instalar pólos de desenvolvimento por lá. Não sei como isso funcionaria, e por isso mesmo espero que ele fale sobre isso - é polêmico, interessante e essencial.
Às 11h do domingo (15/06), o norte-americano Rob DeSalle, curador da versão original da mostra Revolução Genômica, fala sobre “A genômica no museu”. Ele é curador da seção de zoologia de invertebrados do Museu de História Natural de Nova York e co-diretor dos laboratórios de biologia molecular da entidade. Um de seus grandes temas de estudo é a evolução de moscas do gênero Drosophila, especialmente nas ilhas do Havaí, com o auxílio de ferramentas da biologia molecular. Se encaixa bem no seu jeitão de surfista moderno, pelo menos no que vejo por e-mail e no site do seu laboratório.

As duas palestras, gratuitas, ocorrem no auditório anexo ao Pavilhão Armando de Arruda Pereira, antiga sede da Prodam, no Parque do Ibirapuera (portão 10), em São Paulo, onde está em cartaz a exposição científica. A programação cultural da exposição Revolução Genômica está a cargo da revista Pesquisa FAPESP.

12 junho 2008

Oito copos de água por dia e outras lendas

Por conselho médico montei meu escritório na cama hoje. Pelo mesmo motivo também deixo alguma novidade por aqui. Sobre mitos médicos - homenagem?

Há tempos tinha isto guardado para pôr aqui, agora vai. A revista BMJ (quer dizer "British Medical Journal", mas por algum motivo eles preferem a sigla como nome da revista) publicou uma breve análise de sete mitos médicos comuns, daqueles que se ouve em botequim ou nos conselhos das mães e das avós. De acordo com os autores, na melhor das hipóteses não há nada que sustente esses mitos a não ser a crença. Vamos a eles.

Beba no mínimo oito copos de água por dia
A origem do conselho é incerta, mas uma coisa parece certa: é infundado. Os autores sugerem que juntando a água embutida na comida, mais café, chá... já basta para suprir a necessidade diária. Eu, que bebo muita água porque sinto sede constante, é que tenho que me cuidar: excesso de água pode até matar, as plantas que o digam.

Só usamos 10% do cérebro
Essa eu não sabia... Mas parece que muita gente já ganhou dinheiro prometendo desenvolver as capacidades das pessoas ampliando o uso do cérebro. Pessoas que sofreram lesões cerebrais são foco importante de estudo porque qualquer parte danificada parece afetar o comportamento ou o organismo de alguma maneira. Estudos mais precisos sobre funcionamento dos neurônios concordam: ainda não se encontrou a parte dormente do cérebro.

Cabelos e unhas continuam crescendo no túmulo
Múmias com cabeleiras e garras em saca-rolhas... o mito parece se basear na decomposição dos tecidos moles depois da morte. A pele e a carne se decompõem ou encolhem, e deixam unhas e cabelo ali onde estavam. Parecem mais longos, mas não estão crescendo. Os hormônios e maquinaria que cuidam disso já deixaram de existir.

Ler com luz fraca acaba com a visão
Esta é minha favorita, que volta e meia tenho que brigar pelo direito de ler. Ler com boa luz é certamente mais confortável, não é preciso esforço para fazer foco nem piscar mais para manter os olhos hidratados. Mas parece que o consenso atual entre oftalmologistas é que ler com pouca luz não causa danos permanentes aos olhos.

Raspar as pernas faz os pêlos crescerem mais depressa e mais grossos
Ao cortar os pêlos na base, só a parte morta é afetada. As fábricas dentro da pele ignoram totalmente o acontecido e continuam se esforçando como de costume para infernizar a vida das mulheres. O problema é que os pêlos aparados perderam a ponta afilada e por isso parecem mais grossos. Além disso, não tiveram chance de ser clareados pelo sol e parecem mais escuros.

Telefone celular em hospital é perigoso
Diversos estudos ainda não conseguiram justificar a proibição dos celulares em hospitais. Se há alguma interferência em aparelhos, ela parece ser mínima e só acontecer quando o celular está a menos de um metro. Por outro lado, a comunicação rápida e eficiente por celulares tem ajudado médicos a salvar vidas. Agora (e isto é palpite meu), se todas as pessoas ficassem tagarelando no telefone, hospitais seriam especialmente infernais...

Comer peru dá sono
Essa eu não sabia! Já tinha ouvido isso de embebedar peru para facilitar o abate, mas será que a gente se embebeda por tabela? Parece que o problema seria o triptofano, aminoácido abundante na carne de peru que entra na composição de alguns remédios para dormir. Mas segundo os autores na BMJ, carne de peru na verdade não tem mais triptofano que outras carnes. Esse mito deve ter origem nas refeições de ação de graças, a data mais festejada nas famílias norte-americanas. As pessoas comem loucamente, pratos inúmeros. Com vinho. E torta de abóbora e outras coisas de sobremesa. Depois, com as calças já desabotoadas para aliviar a pressão, põem a culpa no prato principal - o coitado do peru!

(A foto eu surrupiei daqui)

07 junho 2008

Ciência no parque


Os preços acima valem para a exposição - as palestras são gratuitas.


Continuam as palestras no parque paulistano do Ibirapuera, embora eu não tenha mais dado conta de anunciar (vou tomar vergonha na cara).
Amanhã, domingo dia 8 de junho, às 11 horas, o norte-americano Andrew Simpson falará sobre a importância da genômica para entender o câncer (veja também aqui).

As palestras de pesquisadores estrangeiros costumam ter tradução simultânea, mas esta - se nada mudou - será em português. É que o Simpson já esteve no Brasil, onde coordenou o projeto de seqüenciamento da bactéria
Xylella fastidiosa - projeto que impulsionou a genética brasileira para esferas internacionais.

A facilidade lingüística é mais um estímulo para ir lá e bater um papo científico - aberto também para leigos.


Prometi mais abaixo que escreveria sobre as palestras. Tenho anotações sobre aquelas que assisti, mas não consegui sentar para escrever. Quem estiver interessado, encontrará aqui os especiais "Revolução Genômica" que vêm saindo na Pesquisa Fapesp com textos sobre as palestras (um ou outro de minha autoria). Aqui encontrará também um resuminho de cada palestra e um trecho em vídeo.

25 abril 2008

Drosófilas para crianças

Continuo no meu veio de me limitar a anúncios... louca para escrever umas coisas, mas a falta de tempo é absoluta!

Estou encantada com o livro infantil que acaba de sair sobre drosófilas. A autora, Francisca do Val, é bióloga e transmite no livro conhecimento que vem da experiência de uma carreira estudando moscas brasileiras e havaianas.

Para mim, o mais encantador mesmo são as imagens, aquarelas lindíssimas da própria Francisca.

O lançamento será em São Paulo no próximo domingo, 26 de abril, das 11 às 13, na Livraria da Vila (Fradique Coutinho 915, 3814-5811). A autora pretende levar moscas e mosquitos que crianças de todos os tamanhos poderão examinar à lupa.

07 abril 2008

Debates às terças

Carlos Henrique de Brito Cruz e Roberto Freire
08/04, terça-feira, às 17:00

O diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, e o ex-senador da República Roberto Freire vãodebater o tema “O avanço da ciência torna a humanidade melhor? Por quê?”dentro das Terças com Ciência,que fazem parte da programação cultural paralela à exposição Revolução Genômica. As Terças com Ciênciaocorrem sempre às 17:00. A entrada é gratuita.

Brito Cruz graduou-se em engenharia eletrônica no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e continuousua formação acadêmica até o pós-doutorado na área de física. Foi presidente da FAPESP de 1996 até 2002,por três mandatos, e desde abril de 2005 é seu diretor científico. Foi reitor da Universidade Estadual deCampinas (Unicamp) entre 2002 a 2005 depois de ter dirigido o Intituto de Física Gleb Wataghin.

Roberto Freire é ex-senador da República, fundador e presidente do Partido Popular Socialista (PPS).Advogado e político pernambuco, foi candidato à Presidência da República em 1989. Na Constituinte de 1987defendeu o fortalecimento das universidades públicas e o maior apoio à ciência e à tecnologia.


O debate ocorrerá no auditório do Pavilhão Armando de Arruda Pereira (a antiga sede do Prodam), no Parque do Ibirapuera (portão 10), em São Paulo. A programação cultural da exposição Revolução Genômica está acargo da revista Pesquisa FAPESP
.

31 março 2008

Tecnologias convergentes e a construção do novo homem

Os genes vão ficar em segundo plano na palestra de terça-feira (01/04) que dá seqüência à programação cultural paralela à exposição Revolução Genômica, em cartaz no Pavilhão Armando de Arruda Pereira (a antiga sede do Prodam), no Parque do Ibirapuera, na cidade de São Paulo.

Às 17h, Esper Abrão Cavalheiro, 58 anos, professor titular de neurologia experimental da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), fala sobre o tema “Tecnologias convergentes e a construção do novo homem”. A entrada para a palestra, que ocorre no auditório do pavilhão da mostra, é gratuita. Recomenda-se fazer reserva para a apresentação por meio do site (clique no item “Atividades Culturais” e escolha o evento desejado). A programação cultural da mostra está a cargo da revista Pesquisa FAPESP.

As chamadas tecnologias convergentes, um conceito formalmente forjado neste século 21, formam uma vasta área de interação da pesquisa em nanotecnologia, biotecnologia, tecnologia da informação e ciência cognitiva com potencial para alterar profundamente os mais variados aspectos da vida do ser humano no futuro próximo. Da junção de conhecimentos dessas disciplinas científicas, pode surgir um cenário que, em alguns casos, beira a ficção cientítica. Setores totalmente distintos, como a defesa militar, a saúde e o próprio limite físico do homem, poderão sofrer alterações radicais com a ascensão das tecnologias convergentes.

Ex-presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e atual assessor do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Cavalheiro no momento se dedica a fomentar o debate na sociedade brasileira sobre o impacto potencial das tecnologias convergentes. O neurocientista não quer que o país se mantenha à margem das discussões sobre a nova área.

28 março 2008

Os genes na evolução humana e nas doenças do coração

Neste fim de semana, a programação cultural paralela à exposição Revolução Genômica traz um dos principais cientistas do mundo na área de genética de populações e de evolução - o norte-americano Alan Templeton, da Universidade Washington, em Saint Louis, Missouri.

Às 15h de sábado (29/03), o pesquisador fala sobre o tema “A evolução humana nos últimos 2 milhões de anos: genes”.

Às 11h do domingo (30/03), a apresentação aborda o assunto “Usando abiologia evolutiva para estudar doenças arteriais coronarianas”.

Após a apresentação dominical, haverá exibição do filme O Enigma de Andrômeda, de Robert Wise, um clássico da ficçãocientífica de 1971.

Com fama de provocador e amante dos embates científicos, Templeton costuma questionar em seus trabalhos, muitos de caráter multidisciplinar, conceitos evolutivos tidos como consagrados. Seus estudos envolvem a aplicação de estatísticas e técnicas de genética molecular e de populações emvários tipos de problemas evolutivos, tanto em áreas básicas como aplicadas. Usa, por exemplo, a abordagem evolutiva em trabalhos de genética clínica, para estudar doenças coronárias (tema dasegunda palestra) ou o desenvolvimento do vírus da Aids em pacientes infectados pelo HIV.

A área de conservação biológica também é alvo de seus estudos de genética evolutiva. Seu principal foco de interesse é o impacto causado por queimadas em florestas manejadas na estrutura genéticadas populações que habitam essas áreas, como as do lagarto Crotaphytus collaris collaris.

Templeton, que foi por um breve período professor visitante na Universidade de São Paulo (USP) no ano de 1976, também se debruça sobre temas básicos da biologia, como o conceito de espécies e a evolução humana recente.

Filme - No domingo, após a segunda palestra de Templeton, haverá a exibição da fita "O Enigma de Andrômeda", de Robert Wise, um clássico da ficção científica de 1971. Baseada no bestseller homônimo do escritor Michael Crichton, a produção norte-americana conta a história de uma pequena cidade infectada por uma bactéria fatal e misteriosa trazida à Terra pela queda de um satélite espacial. Com duração de 131 minutos, o filme mostra a luta dos cientistas para encontrar a cura dessa estranha enfermidade.

Onde: Pavilhão Armando de Arruda Pereira (a antiga sede do Prodam), em frente ao planetário, noParque do Ibirapuera, na cidade de São Paulo.

A entrada para os eventos, organizados pela revista Pesquisa FAPESP, é gratuita. Recomenda-se fazer inscrição para as palestras no site www.revolucaogenomica.com.br (em "Atividades Culturais").

10 março 2008

Genes e cérebro

Chegar ao parque do Ibirapuera numa terça às 17 h não é para qualquer um. Mas se não for de todo impossível, amanhã vale a pena.

O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis apresentará a palestra Genes, circuitos e comportamentos: navegando na fronteira da neurociência (veja cartaz na postagem abaixo), dentro da programação cultural da exposição Revolução Genômica.

Já escrevi sobre o trabalho do Nicolelis aqui. Ele conseguiu avanços importantes em neurociências ao desvendar algo da linguagem usada pelo cérebro. Suficiente, em alguns casos, para tornar possível a comunicação entre cérebro e máquina. O grande objetivo é tornar realidade próteses robóticas que devolvam movimento a acidentados.

Ele também está desenvolvendo a neurociência e o ensino de ciências no Nordeste, a começar pelo Rio Grande do Norte - onde fundou o Instituto Internacional de Neurociências em Natal - Edmond e Lily Safra.

Não sei o que ele tem a dizer sobre genes, mas amanhã passarei a saber.

06 março 2008

Prêmio Nobel na Revolução Genômica

O próximo fim de semana tem programação animada na exposição Revolução Genômica.


Veja cartaz ao lado, e também aqui.


29 fevereiro 2008

Revoluções da genômica


Abre hoje no parque do Ibirapuera, em São Paulo, a exposição Revolução Genômica. Associada à exposição vem uma intensa programação cultural que inclui pesquisadores internacionais de destaque.
A primeira palestra será apresentada pelo paleontólogo Niles Eldredge, do Museu de História Natural de Nova York, que falará sobre Biodiversidade e a sexta extinção.
Saiba mais aqui e aqui.






13 fevereiro 2008

Tem Darwin em São Paulo também

Mais uma vez, descarada, copio do JC e-mail.

Serão promovidas palestra e mesa-redonda com especialistas da USP, e haverá projeção de documentário e realização de oficinas O Museu de Zoologia da USP comemora no dia 16 de fevereiro, sábado, o 199° aniversário de nascimento de Charles Darwin, o pai da Teoria Evolutiva e co-autor da teoria da Seleção Natural.

Desde 2006 o museu oferece uma programação diferenciada nesta data, voltada para divulgação da Teoria Evolutiva e da pesquisa desenvolvida no museu e na USP.

Confira a programação:
11h - palestra “A Teoria Hereditária de Darwin”, com Nélio Bizzo (FEUSP)
14h - mesa-redonda com Mário de Pinna (MZUSP) – “Padrões na Natureza e a Teoria Evolutiva”; Mário de Vivo (MZUSP) – “Biogegrafia e a Teoria Evolutiva”; Hussam Zaher (MZUSP) – “Tempo Geológico e a Teoria Evolutiva”; Diogo Meyer (IBUSP) – “Desafios Contemporâneos da Teoria Evolutiva”.
16h - Projeção do documentário "Darwin nos Andes"
Oficinas de Biodiversidade e Seleção Natural para as crianças

A palestra e a mesa-redonda serão transmitidas pela internet, através do serviço de IPTV da USP, disponível na página do Museu. Perguntas aos palestrantes podem ser encaminhadas para o e-mail: (deve-se colocar "pergunta" no campo assunto do email).

O evento é gratuito e será cobrado apenas o ingresso (R$ 2). O museu fica na Universidade de SP, Av. Nazaré, 481, Ipiranga.

12 fevereiro 2008

Caminhos de Darwin

Quem estiver no Rio de Janeiro esta semana e se interessar por Darwin, vai a dica de uma palestra à qual eu gostaria de ir.

Por falta total de tempo, me limito a copiar do Jornal da Ciência e-mail:

Dando continuidade à exposição "Darwin: Descubra o Homem e a Teoria Revolucionária que Mudou o Mundo", no Museu Histórico Nacional, o Instituto Sangari promove, de 14 de fevereiro a 3 de abril, sempre às quintas-feiras na Livraria Travessa do Shopping Leblon, um ciclo de palestras com o tema "Descobrindo a Árvore da Vida", com um título e um palestrante diferente a cada semana.

As palestras deste ciclo pretendem situar a vida e a obra de Charles Darwin e a sua influência não só sobre a Biologia como também em outras áreas do conhecimento e na visão de mundo contemporânea. Os palestrantes convidados são professores, pesquisadores e representantes de entidades do universo científico.

No dia 14/2, o palestrante será Nélio Bizzo, professor titular da Faculdade de Educação/USP.
Nelio Bizzo foi pesquisador do Manuscripts Room da Universidade de Cambridge, onde foi credenciado para pesquisar os manuscritos e a biblioteca pessoal de Charles Darwin. Entre março e abril de 2002, fez a travessia de Santiago (Chile) a Mendoza (Argentina), pelo Paso de los Libertadores, nos Andes, mesma trilha percorrida por Charles Darwin entre março e abril de 1835, a bordo do Beagle.

Publicou o livro Darwin: do telhado das Américas à teoria da evolução, 2002, pela coleção Imortais da Ciência, editora Odysseus.

Nelio Bizzo apresenta a sua visão original sobre a importância da viagem do Beagle para Charles Darwin onde os Andes aparecem como protagonistas dessa história no local comumente atribuído às ilhas Galápagos.

Com uma linguagem envolvente, Nélio revela interessantíssimos detalhes históricos, pouco conhecidos, dos bastidores da histórica viagem do naturalista.

10 dezembro 2007

Cuidado com o mosquito

A dengue continua causando problemas no Brasil e pelo mundo afora. Mas não é por falta de pesquisa e avanço de conhecimento.

O mosquito Aedes aegypti (ao lado), transmissor da doença, até agora escapa de tentativas de erradicação.

Veja matéria na revista
Pesquisa Fapesp de dezembro, agora nas bancas.

07 dezembro 2007

Encontro com Charles Darwin

Charles Darwin é conhecido como um dos cientistas mais importantes de todos os tempos. Suas observações e investigações, durante os cinco anos em que explorou terras desconhecidas a bordo do Beagle e os vinte que se seguiram ao desembarque na Inglaterra, puseram a seleção natural num lugar antes ocupado por Deus: o de criador da diversidade biológica.

As aves e tartarugas que o jovem naturalista coletou nas ilhas Galápagos eram exemplos de algo que não poderia ser coincidência: áreas isoladas abrigam plantas e animais parecidos, mas um pouco diferentes. Por que Deus criaria essas pequenas variações sobre os mesmos temas? Depois de muita reflexão e estudo, Darwin concluiu que organismos com características que lhes conferissem maior sucesso em determinado ambiente deixariam mais descendentes: esse mecanismo ele batizou de seleção natural.

Consciente da celeuma que suas idéias causariam na sociedade britânica do século XIX e da dor que provocaria em sua amada Emma Wedgwood, Darwin foi incansável em levantar provas e construir argumentos. Mas precisou de um empurrãozinho – a ameaça de perder a autoria da idéia para Alfred Russel Wallace, que estava na mesma trilha – para completar sua obra.

Em As dúvidas do sr. Darwin, que acaba de ser publicado pela Companhia das Letras, David Quammen expõe não só o pensamento mas também o homem metódico e angustiado que foi o “pai da teoria da evolução”. O texto leve, divertido e acessível dá ao leitor a impressão de caminhar ao lado de Darwin ao longo da jornada — que ganha por isso outra dimensão.


As dúvidas do sr. Darwin
Um retrato do criador da teoria da evolução

David Quammen
tradução de Ivo Korytowski
Companhia das Letras
264 páginas
R$ 39,50

04 dezembro 2007

Divulgação de ciência no Instituto Butantan


Começa amanhã, quarta dia 5 de dezembro, a Reunião Anual Científica do Instituto Butantan, em São Paulo.
As inscrições para o público externo estão encerradas, mas mesmo assim é tentador dar uma espiada. O tema central do encontro será divulgação de ciência, com várias palestras e mesas redondas.

Veja
aqui o programa.

28 novembro 2007

Quinta, 6/12/2007
9:00 – Abertura
10:00 – Paulo Abrantes (Filosofia, UnB) – Darwinismo e o caráter anômalo da evolução humana
11:15 – Maurício Vieira (Sociologia, UFF)
13:45 - Yuri Leite (Biologia, UFES) – Doenças, sexo e a Rainha Vermelha
14:45 - Renan S. Freitas (Sociologia, UFMG) – Darwin, Popper e os pragmatistas
16:00 – Hilton da Silva (Antropologia, UFRJ) – Saúde, doença e processos microadaptativos em populações neotropicais brasileiras

Sexta, 7/12/2006
9:00 – Gustavo Caponi (Filosofia, UFSC) – A compreensão do vivente: para além da distinção entre as ciências do espírito e as ciências naturais
10:00 – Cláudia Russo (Biologia, UFRJ)
11:15 – Angela Oliva (Psicologia, UERJ) – Origens evolutivas do comportamento social
13:45 – Suzana Herculano-Houzal (Biologia, UFRJ) – Darwin tinha razão: o número de células no cérebro mostra que somos apenas grandes primatas
14:45 – Nélio Bizzo (Educação, USP) – Darwin e o homem: visões darwinistas na literatura brasileira do século XX
16:00 – Ricardo Waizbort (Biologia, Fiocruz) – Darwinismo ativo: o lugar do indivíduo na evolução biológica


27 novembro 2007

De galho em galho

O Brasil tem macacos de tudo quanto é forma, cor e tamanho. Toda essa diversidade deriva de um ancestral que chegou à América 30 milhões de anos atrás. Segundo o trabalho de Gabriel Marroig, da USP, tal frenesi adaptativo se fundamentou em variação de tamanho.


Misterioso? Leia mais na edição de novembro de Pesquisa Fapesp.

19 novembro 2007

Rio fantástico


Copio aqui aviso que acabo de receber.

Já estão abertas as inscrições para o RioFan – I Festival Internacional de Cinema Fantástico do Rio de Janeiro.

Podem se inscrever curtas e longas-metragens, profissionais e amadores, realizados em qualquer parte do Brasil e do mundo. Longas se candidatam automaticamente à mostra competitiva internacional, enquanto curtas-metragens se candidatam a uma vaga em uma das seções informativas do festival. A inscrição é gratuita.

O regulamento do festival e o formulário de inscrição estão disponíveis em nosso site e em nosso blog. Os candidatos devem enviar a ficha de inscrição preenchida e um DVD de seu filme ou vídeo até o dia 15 de fevereiro de 2008.

Além de um tributo ao mestre José Mojica Marins, que receberá um prêmio pelo conjunto da obra, o festival também vai promover um concurso de vídeos com duração máxima de 1 minuto, aberto ao público, cujos vencedores serão exibidos como vinhetas nas sessões oficiais do evento. Além disso, a programação do RioFan vai contar com uma série de eventos temáticos voltados para os fãs de horror, fantasia, quadrinhos e animação, além de exibições de clássicos do gênero e programas com vídeos e curtas-metragens nacionais produzidos pela nova geração do cinema fantástico no Brasil.

O RioFan está previsto para acontecer entre os dias 29 de abril e 11 de maio de 2008. O festival tem patrocínio da Caixa.


18 novembro 2007

Neurônios, circuitos, conexões e microeletrodos

O ramo das neurociências que estabelece comunicação entre cérebros e máquinas vai de vento em popa. Poderá quem sabe até, em breve, devolver pernas a quem não pode andar.

É o que me contou Miguel Nicolelis na semana passada, logo antes de sua palestra no Fórum Nobel - no próprio Instituto Karolinska, que concede os prêmios Nobel.
Leia notícia no site da revista.

Nicolelis deu também uma entrevista para o programa de rádio Pesquisa Brasil, que a partir de quarta estará disponível
aqui.

Descobri também uma fonte fantástica de informações para quem se encantar pelo assunto. Em julho deste ano a conferência "Your brain and yourself", no Colorado (EUA), reuniu alguns dos maiores neurocientistas do momento. Ainda não investiguei o site, mas ele anuncia ter vídeos, palestras e um livro. Este eu vi, mas por enquanto li só o capítulo do Nicolelis - que é absolutamente fascinante. Estou louca para conferir os outros.

A foto de Nicolelis e sua assistente, especialista em operar o braço mecânico à distância, é de Jim Wallace, da Universidade Duke.

10 novembro 2007

Oceanos alterados

Para começar a falar sobre os mares do planeta, tema da discussão deste mês no roda de ciência, dou a palavra a Kenneth Weiss e Usha McFarling. E arregalo os olhos diante das imagens de Rick Loomis. A aterradora série de reportagens Oceanos alterados, publicada no ano passado pelo Los Angeles Times, valeu à equipe o prestigioso prêmio de jornalismo Pulitzer de 2007. Prêmio para lá de merecido. Dou aqui uma palhinha à guisa de isca. O conjunto é longo mas vale a pena.

Na primeira parte, "Uma maré primordial de toxinas", uma erva-daninha marítima - na verdade uma bactéria - se espalha com velocidade espantosa e se prende às redes dos pescadores. É a erva-de-fogo, e quem se aproxima sente a pele queimar, os olhos incharem, a garganta fechar-se. Terrível para os pescadores na costa da Austrália e também para pesquisadores que tentam descobrir de onde vem tamanha toxicidade e se expõem aos vapores sufocantes. A erva-de-fogo não é novidade, não surgiu do nada. O que espanta é a densidade que atinge - conseqüência do desequilíbrio ecológico que tem origem no uso dos mares pelo homem. E esse não é, nem de longe, o único exemplo.

Leões-marinhos magros, desorientados e com convulsões têm aparecido nos centros de atendimento de mamíferos marinhos na Califórnia. Muitos morrem, apesar dos esforços dos veterinários. "Sentinelas sob ataque" mostra o que acontece com os predadores maiores depois de comer peixes que se alimentaram de algas tóxicas que proliferaram de maneira anormal. E não são só os leões-marinhos que correm perigo. Também somos predadores do topo da cadeia alimentar.

E não adianta virar vegetariano. A maré periodicamente traz à costa da Flórida uma profusão de peixes mortos e algas tóxicas que atacam o sistema respiratório de quem passa por perto. O jeito é tapar o nariz e trancar-se em casa, como mostra "Marés escuras, ventos nefastos". E os sintomas não param em falta de ar, tosse e inchaço nos olhos. Há quem sofra também conseqüências neurológicas, como formigamentos e dificuldade em caminhar. Se continuar assim, os paraísos na Terra deixarão de ser à beira-mar.

E se poluição química assusta, o lixo que bóia não assalta só os olhos sensíveis. Em "Praga de plástico sufoca os mares" aves marinhas morrem vítimas do que achavam ser comida. Plástico não desaparece. Cada saco, brinquedo ou garrafa que conquistou os mares nos últimos 50 anos ainda bóia por aí. Em pedacinhos menores, talvez, mas não menos nocivos. Há quem se dedique a limpar mares e praias. O trabalho de Sísifo, que na mitologia grega rolava uma pedra montanha acima, era moleza.

E ainda contamos com os mares para suavizar os efeitos dos gases estufa que soltamos na atmosfera. O oceano de fato absorve gás carbônico, mas há limites. E conseqüências. Uma é o aumento da acidez da água marinha, que chega a corroer as conchas de moluscos - que têm ali sua única morada. É "Um desequilíbrio químico" que está perto de um ponto de quebra devastador. Não só para o próprio oceano. Quando as águas marinhas chegarem ao ponto de liberar gases em vez de absorvê-los, as mudanças climáticas podem atingir força inesperada.


Este texto é parte da discussão de novembro do roda de ciência.
Comentários aqui, por favor.


05 novembro 2007

Amazônia globalizada?

Ouvi dizer que a New York Review of Books, que publica boas resenhas que vão além de resenhar livros, está com todo seu conteúdo gratuito na internete. E com ótimos podcasts, também. Mas não cheguei lá. ao entrar na página deles, dei de cara com a foto ao lado. Trata-se de uma queimada perto de Imperatriz, na Amazônia, para substituir floresta por pastos.

A resenha, por John Terborgh, analisa o livro The Last Forest: The Amazon in the Age of Globalization, de Mark London e Brian Kelly. Para Terborgh, o livro peca por ser superficial - apesar de terem percorrido a Amazônia brasileira para entrevistar caboclos, parece que nenhum dos autores fala português. Não sei como eles fizeram, nem até que ponto essa limitação os impediu de enxergar o que viram.

O resenhista não deve conhecer o Brasil. Descreve o Cerrado como uma campina, em vez de dizer que é uma savana. Mas não impede que diga coisas interessantes. Ele rememora uma vez em que sobrevoou a floresta amazônica, a caminho entre o Peru e Miami. Descreve a massa verde até onde os olhos alcançam, interrompida de repente por uma pista de pouso. Não há transição entre o concreto e a floresta, como se vê noutras paragens.


Não há negociação, portanto, entre urbe e selva. As plantações de soja em zona de Cerrado mostram que basta um pouco de tecnologia para tornar produtiva uma área silvestre. Segundo o livro, a primeira ameaça a segunda com o projeto Avança Brasil. "Se o Avança Brasil for adiante como planejado, ele transformará a região amazônica. Trechos de terra da rodovia Transamazônica serão asfaltados, rios serão dragados e ganharão comportas para permitir o tráfego de balsas, novos portos serão construídos e represas serão construídas para fornecer energia hidrelétrica para novas cidades e indústrias. Melhor acesso proporcionado por estradas precipitarão um frenesi de desmatamento e especulação. A indústria madeireria, agora concentrada ao longo das bordas leste e sul da Amazônia, avançarão para as porções central e ocidental da bacia."

Quem diz isso é Terborgh. Avança Brasil não aparece no livro, que se limita a dizer vagamente que o desenvolvimento é inevitável na Amazônia. O resenhista concorda que é impossível manter a floresta como ela é, mas defende que ela não será perdida graças às áreas de proteção que existem - que pode chegar, calcula, a 50% da área amazônica. Mas o equilíbrio ali é delicado: pesquisas indicam que o desmatamento causará secas que se estenderão para oeste e o Cerrado entrará Amazônia adentro.

Muito se estuda sobre a Amazônia seu valor não só em biodiversidade mas como moderadora do clima global. The Last Forest, parece, não é uma referência essencial. Não vou poder agora ir atrás de mais, deixo aqui a isca. Quem encara inglês, vale a pena ler a resenha que é bastante longa.

02 novembro 2007

Mosquiteiros salva-vidas

Quer acabar com a malária, doença que na África mata cerca de 1 milhão de pessoas por ano? Distribua mosquiteiros. É o que advoga o economista Jeffrey Sachs.

Parece simples, mas não é bem assim. Uma boa revisão dos prós e contras está na reportagem de Leslie Roberts na edição de 26 de outubro da revista Science e no podcast (este é gratuito, mas requer ouvido treinado para o inglês) do mesmo dia.

Sachs estima que distribuir mosquiteiros para cada quarto na África custaria 60 centavos de dólar por pessoa por ano. São mosquiteiros tratados com inseticida, de maneira que não protegem só quem está debaixo dele. Pousar na rede basta para matar o transmissor da malária, portanto se boa parte das casas de um vilarejo está protegida, o benefício se estende até para quem dorme à mercê dos insetos. O chamado efeito de rebanho, segundo Sachs, poderia significar uma queda de 90% na transmissão da malária no continente.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) adotou a estratégia e recomenda que todos tenham acesso a mosquiteiros, de graça ou a preços reduzidos. Dados recentes mostram, no Quênia, uma queda de 44% na mortalidade por malária após um esforço concentrado de distribuição de mosquiteiros cujo efeito inseticida dura 5 anos.

Maravilha. Mas há quem discorde. Segundo Leslie Roberts, especialistas em malária temem que o investimento maciço em mosquiteiros desvie recursos que seriam direcionados para a pesquisa - desenvolvimento de vacinas, por exemplo, que ainda não existem. Além disso, a distribuição depende de imensas doações. E se os doadores cansarem da benevolência e não houver recursos para substituir ou recauchutar os mosquiteiros gastos? Alguns especialistas afirmam que nesse caso o problema não voltaria à estaca zero: ficaria bem pior. A idéia é que, com alguns anos longe da malária, o sistema imunológico dos africanos perderia o que tem de resistência à doença, e uma reincidência seria muito mais letal do que é hoje.

Além disso, distribuir mosquiteiros para todos os vilarejos e cidades africanos não custa só o preço das redes e do inseticida. Distribuir gasta combustível, gasta tempo de trabalho, depende de logística por vezes complexa. Se realmente funcionar, vale a pena. Senão, são recursos valiosos em regiões tão pobres. Resta muito a discutir.

Nas Américas a situação é melhor do que na África, mas está longe de controlada. A cada ano são registrados 1 milhão de novos casos de malária, segundo a Organização Pan Americana da Saúde (Opas - em espanhol aqui). Dia 6 de novembro, na semana que vem, é o Dia da Malária nas Américas, em que a Opas pretende fazer campanhas de conscientização e buscar parcerias que permitam estratégias de luta contra a malária neste continente. Mas a campanha é ainda tímida: o documento na página da Opas lista eventos só na Guiana, em Honduras e na capital norte-americana, Washington.

Usar mosquiteiros por estas bandas está nos planos da Opas. Seria uma luta integrada contra a dengue também, que este ano atinge níveis sem precedentes (escrevo assediada por mosquitos Aedes aegyptis, transmissores da dengue). Está nos planos, mas não sei se já está sendo feito.

PS. Acabo de ver um artigo na Plos Medicine sobre a uma experiência contra malária em Zanzibar, que inclui redes tratadas com inseticida. Não tive tempo de ler ainda, mas deixo a referência.

PS. Mais uma atualização: o site do Ministério da Saúde anuncia que mosquiteiros tratados estão entrando no Brasil, a começar pelo Acre.


A foto, de uma família protegida por uma rede tratada, eu peguei na página da OMS.

25 outubro 2007

O primata bipolar

Você já contemplou chimpanzés em algum zoológico? Eles são perturbadores, tão humanos mas sem a classe civilizada que desenvolvemos nos últimos 5,5 milhões de anos.

É exatamente na qualidade de espelhos do que (também) somos que o primatólogo holandês Frans de Waal nos põe diante dos chimpanzés e bonobos - estes últimos mais desconhecidos mas igualmente nossos parentes - no livro Eu, primata, recentemente publicado no Brasil pela Companhia das Letras. Veja
resenha na revista Pesquisa Fapesp.

A foto eu tirei do
álbum de família do próprio Frans de Waal

23 outubro 2007

Papagaios nas alturas

O Brasil é uma riqueza de papagaios. De todas as cores - azuis, verdes, vermelhos... Na edição deste mês da revista Pesquisa, contei um pouco do que aprendi sobre como o soerguimento dos Andes contribuiu para a diversificação dessas aves.


Não resisto a destacar os nomes. Pionus menstruus (à direita) tem a traseira vermelha; P. senilis tem a cabeça branca. Adorei!


Leia "No topo da montanha" aqui.
A imagem ao lado é de William Cooper, do livro Parrots of the World (1973).

19 outubro 2007

A Terra daqui a 50 anos

Mais uma no veio infantil. A Ciência Hoje das Crianças está promovendo um concurso: mande para a revista um desenho mostrando como será este mundo daqui a 50 anos. O vencedor ganhará uma assinatura da revista e uma viagem ao Rio de Janeiro ou a São Paulo para visitar museus de ciência. Só valem desenhos enviados até 31 de dezembro deste ano. Veja aqui.

15 outubro 2007

Ciência para crianças

Um novo blogue traz boas dicas para quem quer mostras às crianças as maravilhas da ciência. É o via gene Kids, da ana banana - codinome da Ana Claudia Lessinger do Via gene.
Sucesso nessa bela aventura, Ana.

10 outubro 2007

Para quem gosta de um bom dicionário

Um dia apareceram lá em casa cinco enormes volumes, que minha mãe herdou de um amigo. Era o dicionário Caldas Aulete.

Foi uma festa. Passamos um bom tempo aprendendo palavras sensacionais. Aprendi também que é o repositório por excelência da língua portuguesa, com mais de 200 mil verbetes, editado pela primeira vez em Portugal no final do século XIX.

A última edição brasileira foi feita nos anos 1980 e é hoje restrita a herdeiros como minha mãe e uns ratos de sebo obstinados e sortudos.

Não mais! Ele está agora disponível de graça aqui, onde qualquer um pode baixar o dicionário completo em seu computador. Além dos verbetes originais a versão eletrônica traz também 86 mil verbetes atualizados para a linguagem contemporânea, que estão ainda sendo revisados e aperfeiçoados.

08 outubro 2007

Ecossistemas em miniatura

São duas as miniaturas protagonistas de Fragmentos da Mata Atlântica do Nordeste, editado por José Alves Siqueira Filho e Elton Leme.

A Mata Atlântica nordestina já quase não existe, de tão fragmentada e invadida sobretudo por canaviais. No entanto, ali estão plantas e animais únicos, prestes a desaparecer de uma vez por toda caso nada seja feito.

E as bromélias são mini-ecossistemas. Ali brotam sementes, se abrigam animais, outros buscam alimento. Sua presença - e seu sumiço - indica o estado de saúde dos fragmentos de mata em que vivem.

Leia mais sobre a Mata Atlântica nordestina e suas bromélias no belo livro ao lado e também na revista Pesquisa de outubro, aqui.

02 outubro 2007

Novo blogue de saúde

O jornal New York Times acaba de lançar um novo blogue com atualizações diárias sobre ciência. Os assuntos são diversos e apresentados de forma acessível e interessante. Vale conferir.

26 setembro 2007

Amores expressos

Dezesseis escritores brasileiros embarcaram cada um para um canto do mundo. Na volta cada um escreverá sua história de amor. É o projeto "Amores expressos", que criou grande bafafá no meio literário e agora está em curso.

Cada um dos escritores mantém um blogue em que conta suas histórias. Ainda não consegui ler muito, a não ser o do Bernardo Carvalho que foi o primeiro que descobri. Além de serem belos escritores, acompanhar as aventuras é de certa forma participar da gênese de futuras obras literárias.

Veja aqui o site do projeto.

23 setembro 2007

Sem rede de segurança

Quando criança, Maria Bethânia queria ser trapezista. A lembrança está no final do filme "Maria Bethânia, pedrinha de Aruanda", de Andrucha Waddington. "Acabei não indo para a escola de circo, mas no fundo é esse o meu ofício", ela reflete enquanto contempla um picadeiro vazio. "Sem rede".

Quem já a acompanhou palco adentro sabe. E quem viu o filme andou junto, sentiu a tensão, a intensidade da oração em busca de força e concentração, a coragem para correr e mergulhar nos brados amantes da multidão. O sorriso que rasga o rosto de lado a lado não é simpatia, não é teatro, não é triunfo. É a energia que ela recebe e transborda. E é a música que aflora, não cabe só na voz.

A lição maior é avançar pela vida sem rede de segurança. Não importa se há um deus (ou muitos), nem seu nome: a vida vale muito mais se a gente enxerga o sagrado das coisas. Entrar num rio e parar diante de uma cachoeira, admirar a força sem combatê-la, fazer parte. Estar junto com quem se ama. Tudo sagrado.

A foto eu peguei aqui.

21 setembro 2007

Oceano revelado

Quer ver segredos dos mares poucas vezes revelados a olhos leigos? Vá a São Sebastião.


O biólogo Bruno Vellutini passou por este blogue para avisar que a partir do próximo sábado, 22 de setembro, até dia 19 de outubro estarão expostas fotografias de criaturas marinhas que mais parecem fugidas de mundos mágicos. É "Oceano: vida escondida", exposição organizada pelo pessoal do Centro de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo.

Se a amostra do site for representativa, vale a viagem.

13 setembro 2007

11 setembro 2007

Encontros com a pesquisa: biritas e biriteiros

Foto: Miguel Boyayan, para matéria Pesquisa Fapesp


Esta semana traz mais um debate: estarão presentes a psicóloga Ilana Pinsky, a psiquiatra Laura Andrade e o jornalista Hugo Leal. O assunto será o consumo de bebidas alcóolicas no Brasil, tema da matéria de capa da revista Pesquisa Fapesp deste mês.

Em agosto, a Secretaria Nacional Antidrogas, do Governo Federal, apresentou o 1º Levantamento Nacional sobre os Padrões de Consumo de Álcool na População Brasileira. Realizado com cerca de 3000 pessoas com mais de 13 anos de idade de 147 municípios brasileiros, esse estudo é o mais abrangente retrato do consumo de álcool no país. Ao lado de outras pesquisas, poderá orientar a implantação das medidas da Política Nacional sobre Bebidas Alcoólicas, sancionada em maio pelo presidente Lula, que tem como meta reduzir o consumo de álcool e os danos a ele associados, como os acidentes de trânsito, o desenvolvimento de algumas formas de câncer, além de prejuízos emocionais.

Ilana Pinsky é psicóloga especialista no tratamento de dependência química. Ela estuda a influência da propaganda de bebidas alcoólicas sobre os jovens, além do hábito de beber e dirigir, é professora do Departamento de Psiquiatria da Unifesp e co-autora do 1º Levantamento Nacional sobre os Padrões de Consumo de Álcool na População Brasileira.A psiquiatra Laura Andrade é professora do Instituto de Psiquiatria da USP, onde coordenadora o Núcleo de Epidemiologia Psiquiátrica. Ela desenvolve levantamentos sobre a freqüência dos transtornos mentais – entre eles o abuso de álcool e suas conseqüências físicas, psíquicas e sociais – na região metropolitana de São Paulo. Hugo Leal é jornalista e responsável pela comunicação dos Alcoólicos Anônimos (AA), onde responde pelo contato com os profissionais de saúde e a comunidade acadêmica. Ex-dependente de álcool, há quase 8 anos Leal ministra aulas sobre o funcionamento do AA para especialistas da USP e da Unifesp que tratam dependentes de álcool.


13 de setembro, às 19h30
Auditório da Livraria Cultura do Conjunto Nacional, São Paulo.

A série Encontros com a Pesquisa é uma promoção da revista Pesquisa Fapesp com a Livraria Cultura. O evento ocorre mensalmente com uma palestra aberta e gratuita, seguida de debate com o público. Os temas debatidos fazem parte do universo da ciência e tecnologia e normalmente servem de base para reportagens de Pesquisa FAPESP. A Livraria Cultura do Conjunto Nacional fica na Avenida Paulista, 2.073, cidade de São Paulo. (tel.: 11 3170-4033).